“A antítese da política é a barbárie”, diz João Roma, em entrevista a Mário Kertész

O deputado federal João Roma (Republicanos) participou nesta quarta-feira (23) de uma entrevista ao apresentador Mário Kertész, na rádio Metrópole, e afirmou que deixar de lado o acirramento político e buscar o diálogo e o entendimento para que o Brasil possa superar as dificuldades, especialmente aquelas causadas pela pandemia do novo coronavírus. No bate-papo, Roma e Mário discutiram diversos temas relacionados à política, falaram sobre a parceria entre o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (Democratas) no combate à covid-19 e sobre a área cultural.

Confira os principais pontos da entrevista:

Mário Kertész – Você tem um nível de história, de cultura muito acima de qualquer média. Sempre tivemos entrevistas ótimas que não ficaram só no rame-rame da política. Fiquei muito satsifeito de ver você chegar no meio de 500 e tantos deputados e logo no primeiro mandato se destacar, inclusive em todas as listas de deputados que mais se destacaram, que tiveram presença marcante no Congresso, está aí o seu nome. Tem algum segredo ou é trabalho e conhecimento? A sua base cultural eu acho que deve ter te ajudado muito. É muito diferenciada da grande maioria das pessoas.

João Roma – Eu me recordo que ocorreu a eleição em 2018 e na segunda-feira, às 6h, eu estava na rádio Metrópole e fui abraçado por você. Daquele dia em diante, eu vim todas as semanas para Brasília. Naturalmente, a já tinha convivência em Brasília, uma vez que eu já tinha estudado, trabalhado em ministérios, assessorados várias pessoas, já tinha obviamente uma gama de relações, muito trânsito, conhecia os corredores da instituição que eu estava chegando para integrar como deputado. O diferencial disso foi o entusiasmo com que eu cheguei a Brasília, com muita vontade.

Uma coisa eu acho que foi a cereja do bolo: a civilidade. Mais do que questão de conhecimento, que é relevante, eu acho que civilidade que foi um traço que através disso eu consegui construir novos amigos, novas interlocuções, mas também dar um certo exemplo de condução. Integrei a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadnia) e fiquei muito decepcionado com o acirramento dos dois lados, com xingamentos, com antiexemplos.

Política eu acho que é isso: um marco civilizatório. A antítese da política é a barbárie, em que a gente não consegue, através do diálogo, superar as nossas dificuldades de convivênica, de aspirações. O Parlamento tem que simbolizar isso com civilidade. A boa política não é a disfunção da política, não é a politicagem, não é o ‘toma lá da cá’, aquela coisa que justamente encharcou o povo brasileiro em 2018, que queria naquele momento uma ruptura porque não aguentava mais aqueles meandros de um política trivial. Eu acho que isso tenha sido mais impactado e que talvez eu tenha sido diferencial.

Mario – Eu tenho combatido esse estado de ódio que ainda persiste no Brasil. É uma besteira, não vamos construir nada com ódio, nem de um lado nem de outro. Ainda mais agora que estamos vivendo essa pandemia terrível. Eu cito sempre para entrevistados de fora, tenho dado o exemplo do que está acontecendo na Bahia, você sabe mais do que ninguém que ACM Neto e Rui Costa se bicavam o tempo todo. Hoje, apesar das divergências políticas e na hora da eleição cada um vai seguir o seu caminho, eles estão tão juntos. Isso é prova de dois líderes competantes que veem essa luta pela vida mais importante do que a política.

João Roma – Eu sugeri que o próprio presidente Bolsonaro, que inclusive nesse momento passa por um momento de serenidade, de busca de entedimento com o Congresso, que observasse o exemplo de ACM Neto e Rui Costa na Bahia. Eu fiquei muito feliz com a postura dos dois. Você sabe da minha ligação com Neto, ele é meu líder político. Num momento como esse a população precisa disso. Isso transmite serenidade e tranquilidade para a população. Não é um momento fácil que nós estamos vivendo. Eu sempre comento que a Bahia está dando um exemplo para o Brasil. Esse é caminho que temos que seguir. O outro lado, além de ser chato, é também rasteiro. Essa forma de política é empobrecida. A gente tem tanto assunto para se aprofundar de buscar alternativas muitas vezes tem temos em. A população está observando isso e termina que em certo momento ela fica aborrecida. Mas eu acho que de maneira geral a nossa consciência coletiva observa que temos que ir para um caminho em que possamos nos aprofundar mais nos assuntos e chegar no âmago das questões.

Mário – Eu acho inclusive você, como deputado federal, com representativdade que tem hoje de mandato, pode ajudar muito a área cultural do país, que sabemos que não anda muito bem por conta da ideologia muito marcada.

João Roma – É um perigo introduzir estética nas expressões culturais. Já trabalhei no Ministério da Cultura e eu fico não só triste como preocupado com o desencadear dos assuntos na área cultura. Algumas iniciativas ocorreram, teve secretário que saiu que estava com símbolo nazista, depois Regina Duarte, que teve voo curto, e isso tudo é muito ruim. Imagina que nesse setor da cultura, que abrange a parte de entretenimento, que afeta tanto a nossa Bahia, setor que talvez é o que mais vai sofrer. A luta do petróleo é nosso tinha o peso da cultura, assim como os caminhos da abertura democrática. Hoje fica se colocando como uma coisa lateral, como chapa branca. Cultura é lugar blindado.

Sempre faço questão de comentar que a deputada Alice Portugal (PCdoB) foi autora de uma lei que torna o 2 de julho como a consolidação da independência do Brasil. Ela é do PCdoB, eu do Pepublicanos, ela está num partido mais à esquerda, eu num partido mais à direita. Mas em matéria de cultura a gente tem que estar unido. Essas são matérias que não me diminuem enaltecer a deputada, um assunto como esse supera as fronteiras da Bahia. Esses temas que temos que buscar nos unir e contribuir para dar retorno à população.

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