João Roma em defesa do Sistema S

Sistema S tem índices de aprovação entre ótima e bom na casa dos 93%.

João Roma defende Sistema que tem índice de aprovação de 93% além de diversos benefícios para a população.
João Roma defende Sistema que tem índice de aprovação de 93% além de diversos benefícios para a população.

Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no dia 20 de dezembro do ano passado atestou que o brasileiro aprova o Sistema S, conjunto de entidades corporativas dedicadas ao treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica. Fazem parte do sistema, entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); Serviço Social do Comércio (Sesc); Serviço Social da Indústria (Sesi), o Senar, o Senac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A pesquisa evidenciou que 94% dos entrevistados classificam que a atuação de Senai, por exemplo, está entre ótima e bom; 93% dizem o mesmo sobre a trajetória do Sesi no campo da educação básica, cultura, esporte, responsabilidade social e saúde.

Com uma longa folha de serviços prestados à sociedade e resultados notáveis, o Sistema S beneficiou milhões de brasileiros em quase oitenta anos de existência, desde a criação do Senai, em 1942, e do Sesi, em 1946.

Apesar do conjunto de conquistas, o Sistema S vem sendo alvo de críticas e ameaças que colocam em risco o seu futuro. Não resta dúvida quanto a necessidade de se reduzir impostos, mas é preciso, antes de qualquer decisão drástica, ponderar sobre o real valor do empreendimento.

Um país, para crescer de forma sustentável e gerar empregos, precisa, principalmente, de mão de obra qualificada. Os jovens no Brasil perdem muitas oportunidades por falta de qualificação profissional. É nesse contexto que o Sistema S atua, entre outras frentes. Cito como exemplo o Senai, o maior complexo de educação profissional da América Latina e um dos cinco maiores do mundo. Em 76 anos de existência já formou cerca de 73 milhões de trabalhadores no Brasil e, no ano de 2017, realizou 2,3 milhões de matrículas.

Na Bahia, podemos citar o exemplo do SENAI CIMATEC, que hoje se transformou em uma referência em pesquisa e desenvolvimento industrial, sendo o maior executor de projetos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), o que representa inovação e competitividade para a indústria baiana e brasileira.

Os recursos que sustentam essas entidades vêm de dotações financeiras destinadas pelas empresas ao financiamento da educação e profissionalização do trabalhador. Parte dos valores tem origem em contribuição compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas. É importante ressaltar, ainda, que o “Sistema S” tem maior retorno sobre o investimento do que o setor público, além de melhor efetividade de resultados por real investido.

Há outros exemplos que reforçam a importância do “Sistema S”: na Finlândia, que é modelo de excelência na área educacional, cerca de 30% dos jovens faziam esse tipo de formação junto com o ensino médio em 2005. Dez anos depois, após estímulo governamental, esse índice saltou para mais de 70%. Na Alemanha, outra referência mundial em educação, o percentual dos que fazem cursos técnicos chega a 53% e na Áustria, a 76%. O Brasil está muito atrás no ranking, com apenas 9%.

Portanto, preocupa as informações de que o novo governo pretende suprimir entre 30% a 50% os recursos do Sistema S, o que resultaria em imensos prejuízos, a exemplo do fechamento de 1,1 milhão de vagas em cursos profissionalizantes do Senai e o encerramento das atividades de 162 escolas de capacitação. Agravando ainda mais o quadro, o Sesi teria que extinguir 498 mil vagas para o ensino básico e na educação de jovens e adultos ao fechar 155 escolas, além de demitir 18,4 mil trabalhadores, boa parte educadores.

Um corte no orçamento do Sistema S irá prejudicar especialmente milhões de jovens de baixa renda que encontram nos cursos e ações oferecidas a única oportunidade de ter uma formação para entrar no mercado de trabalho e construir uma carreira no futuro.

Crucial é que os novos governantes entendam a importância de conservar iniciativas da magnitude do Sistema S, de formação do trabalhador, de desenvolvimento tecnológico da indústria brasileira e da nação. Mais significativo na hora de cortar custos seria focar em ações que otimizem a administração pública, reduzindo a crônica vocação por desperdiçar recursos.

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